Debate: No contemporâneo, como são as redes sociais em que nossos filhos nascem. Com o psicanalista João Batista Lembi. 

Palestra com os pais do Ensino fundamental II

Constantemente têm nos chegado informações de pais preocupados e aflitos com a forma como seus filhos se comunicam nas redes sociais. As mensagens trocadas entre eles são redigidas com uma linguagem extremamente agressiva, grosseira e inadequada. Também somos procuradas por alunos que relatam frequentes episódios de conflitos entre eles, provocados por essa comunicação invasiva e desrespeitosa. Formam grupos e enviam mensagens no WhatsApp e Instagram com informações que denigrem a imagem uns dos outros, ferem companheiros de longa data, gerando mal estar e criando em sala de aula uma instabilidade muito grande nas relações.

Esse quadro é tão preocupante do ponto de vista ético na formação dessa nova geração, quanto tem sido significativo o desvio de foco provocado na questão da aprendizagem dos alunos. Eles deixam de aproveitar conteúdos extremamente importantes para a sua vida acadêmica e pessoal.

Diante desse problema é indispensável que haja ações nesses dois universos: escolar e familiar. Cabe aos pais acompanhar essas postagens de seus filhos, problematizando com eles aquilo que constatarem e até mesmo tomando atitudes firmes de contenção. A abordagem com os adolescentes deverá fugir do campo da moral, ao qual resistem, de modo a conseguir fazer o deslocamento. A escola, por sua vez, também precisa ajudar a desconstruir algo que já se torna corriqueiro e aceitável, criando ambientes de reflexão coletiva e atividades que favoreçam esse debate.