Presença indígena na Festa Literária de Santa Teresa desperta interesse de alunos e da sociedade para a inclusão de cultura indígena nas escolas

A presença indígena na Festa Literária de Santa Teresa desse ano foi marcada por rodas de debate com lideranças indígenas e pelo espaço “Palavras Indígenas: literatura indígena, tradição oral, resistência, terra e autodeterminação”. As atividades despertaram o interesse de alunos e do público que circulava pelo Parque das Ruínas ao longo do sábado e domingo (20 e 21/05), durante a programação da FLIST 2017, levantando questionamentos sobre o por que das culturas e literatura indígena não serem ensinadas na escola.

“É importante que iniciativas como a do colégio CEAT de criar uma matéria exclusiva para o ensino de arte, cultura e historia indígena ganhem visibilidade. É importante que iniciativas como essa possam ganhar força e se multiplicar, passando a estar presentes no ensino particular e, sobretudo, no ensino público. A sociedade precisa ouvir, respeitar, valorizar e aprender com as palavras indígenas, marcadas pela beleza de suas cosmologias, mas também por resistência e luta por suas terras e pela autodeterminação de seus povos”, contam as organizadoras das atividades, Thayná Ferraz (professora de cultura indígena do Ensino Médio do colégio CEAT) e Aline Cavalcanti (artista contemporânea ativista na luta pelos direitos indígenas).

A proposta da atividade de “criar um espaço na FLIST para chamar atenção para a importância e para a urgência de se inserir o ensino da cultura, da história, da literatura e das narrativas dos povos indígenas no currículo escolar obrigatório”, buscava reunir pessoas interessadas que quisessem compartilhar angústias, anseios e experiências para somar forças em iniciativas que deem continuidade à aplicação da lei n.11.645/2008, lei recentemente extinta pela Reforma do Ensino Médio e que instituía a obrigatoriedade do ensino de história e cultura dos povos indígenas, africanos e afro-brasileiros nos currículos escolares.

A programação do espaço indígena na FLIST contou com rodas de conversa e debate sobre as trajetórias de vida de mulheres indígenas, sobre a presença indígena nas cidades e universidades e sobre o poder da palavra indígena escrita e falada como forma de reivindicar direitos e de apontar novos projetos de futuro para indígenas e não-indígenas. Participaram do evento as lideranças indígenas Márcia Guajajara, Papion Cris (povo Karipuna), Sandra Benites (povo Guarani Nhandeva), Nelly Dollis (povo Marubo) e Kuirá Karajá. Além das rodas de conversa e do sorteio de livros que as seguiram, as atividades contaram também com painel e leitura de textos escritos por autores e autoras indígenas, com uma exposição de trabalhos sobre violação dos direitos indígenas feitos pelos alunos da matéria de Cultura Indígena do Colégio CEAT, com exposição de fotos dos povos Kayapó, Baniwa e Asurini do antropólogo, fotógrafo e documentarista Thiago Oliveira, além da exposição de tecidos do povo Huni-kuin (Kaxinawá) e cestarias do povo Pareci cedidos pelos antropólogos Els Lagrou e Marco Antônio Golçalves. Uma diversidade de artesanatos indígenas também foram vendidos por algumas das lideranças indígenas, embelezando e fortalecendo o espaço com arte, palavra e música ao longo dos dois dias de evento da FLIST 2017.

 Redação “Raízes e Memórias na Escola”

 

Fotos de Júlio Stotz